sábado, 4 de outubro de 2008

Viva a Sociedade Alternativa!

Amanhã tem eleição no país inteiro para os vereadores e prefeitos e o tema favorito dos jovens perto desta data é política. Pelo menos se fala sobre política-nem sempre de forma coerente e discutível- de dois em dois anos no país...Enfim, hoje terminei de ler um livro de Fidel Castro(é, o temível Fidel) e para começo de conversa eu não sou socialista- nem ele era quando estorou a revolução- mas o livro é digno de leitura. Para fazer uma retrospectiva e para que todos estejam a par da situação de Cuba na época da revolução eu vou narrar brevemente os fatos. Em 10 de março de 1952 o general cubano Fulgêncio Batista deu um golpe de estado para impedir o triunfo do Partido Ortodoxo nas eleições marcadas para junho daquele ano. A Constituição de 1940 foi anulada. Em 26 de junho de 1953, cento e cinquenta e um militantes da oposição a Batista atacaram o Quartel Moncada. O ataque fracassou e o grupo, liderado por Fidel Castro, foi preso, só tendo sido libertado em 15 de maio de 1955. Para que a revolução vingasse, Che Guevara pediu a ajuda da URSS(Fulgêncio Batista era aliado dos EUA) a fim de libertar Fidel-principal líder- e tirar Batista do poder. E foi assim que se deu a aliança da revolução cubana com o sistema socialista. Para falar a verdade, depois da leitura do livro, a pessoa pode até pensar que ele era marxista já que um dos objetivos do governo revolucionário seria a reforma agrária. Todavia, querer o bem da população não necessariamente é uma idéia socialista. Querer um governo respeitoso e justo não é privilégio dos comunistas apenas. O livro " A História Me Absolverá" trata justamente da revolução e após a sua leitura dá para ter uma idéia mais coerente de Cuba e do seu regime atual. Fidel não teve acesso a advogados de defesa quando foi preso e foi advogado e réu simultaneamente. Esse livro é justamente o seu discurso, ou melhor, a sua defesa perante o tribunal de justiça. eu não concordo com alguns ideais dele e aposto que se vocês lerem vão discordar de alguns pensamentos também. Acho algumas soluções meio utópicas para a atualidade e tendo em vista o sistema capitalista que domina o comércio mundial, mas reconheço que a retórica dele foi, no mínimo, genial. O jeito com que ele advogou mostra o porquê ele era uma das lideranças e o motivo pelo qual ele se tornou o governante da ilha. Durante a leitura eu não pude parar de pensar no que tenho escutado nos últimos dias. 'A juventude está muito passiva..', 'O jeito é uma revolução...', 'O Brasil é um cabaré mesmo...', ou pior: 'Eu voto no que rouba menos...' Falta na juventude um patriotismo que é presente em muitos países que não o Brasil. Vieram com um discurso outro dia-na minha opinião um dos piores- ''Na época dos cara-pintadas, das Diretas Já...era tudo diferente. Os jovens iam à luta. A juventude de vocês está perdida mesmo'' Eu fico possessa com alguns discursos desse tipo porque muitos adultos não param para pensar o que discutem com os seus filhos em casa. Se falta patriotismo no jovem a culpa é dos pais também. Do que adianta ter lutado nessas passeatas se não se passa a noção de patriotismo e civilidade pros seus filhos. Como é que se espera que o país tome jeito se a juventude ao menos tem noção de política. Deve ser frustrante ver uma juventude passiva quando se lutou por uma democracia. Contudo, é deplorável ver alguém que lutou tanto por uma causa morrer na praia e deixar de passar os seus ideais a diante porque já foi preso ou porque fracassou uma vez. A hora é agora de passar para os seus noções básicas de democracia como o voto. Como se escolhe um candidato? Ora, se queremos, de fato, um sistema de governo democrático, devemos ter um foco. Começa-se votando pela ideologia do partido político. Devemos estudar(É,ESTUDAR) as doutrinas, as propostas e o hitórico de cada partido. Quem disse que ser um cidadão com liberdade de expressão é fácil? Há uma série de responsabilidades que estão ausentes na população brasileira como a de reivindicar os seus direitos e fazer por onde a reivindicação. Não me venham com a história 'mas a massa não sabe..'. A 'massa' vai se instruindo aos poucos e se nem os que 'sabem' fazem algo coerente como é que a 'massa' vai ter exemplo? Em cuba, na década de 1950, a massa também era alienada e vivia em condições precárias, mas os que sabiam lutaram por ideais vigentes até hoje. Aqui vai um trecho do livro: " Cuba poderia abrigar esplendidamente uma população três vezes maior. Não há ,pois, razão para tanta miséria entre seus atuais habitantes. Os mercados deveriam estar abarrotados de produtos; as despensas das casas, cheias; todos os braços poderiam estar produzindo laboriosamente. Não, não é inconcebível. O inconcebível é que homens durmam com fome enquanto existe terra sem semear; o inconcebível é que haja crianças que morram sem assistência médica; o inconcebível é que trinta por cento de nossos camponeses não saibam assinar o nome e noventa e nove por cento não conheçam a história de Cuba; o inconcebível é que a maioria das famílias de nossos campos esteja vivendo em piores condições que os índios encontrados por Colombo ao descobrir a terra mais formosa que os olhos humanos já viram."

Eu não sei se vocês notaram alguma semelhança com o Brasil do novo milênio...Eu não sugiro uma revolução porque o país não tem essa mentalidade e essa postura só evidenciaria novamente o quanto a europa influencia as nossas atitudes-mesmo que isso ocorra muito tempo depois. O que eu sugiro é uma atitude tipicamente brasileira. Usar a nossa passividade de forma saudável. Isso mesmo. Toda revolução exige e deve ser banhada por muito sangue e o nosso país não precisa de mais violência do que já tem. Até porque, mesmo que houvesse uma revolução, por não termos um povo que veste o caráter revolucionário permanentemente, mas sim, temporariamente, as coisas voltariam ao marco zero como ocorreu após o fim da ditadura militar de 1964. A corrupção que tomava conta do poder naquela época prevalece hoje. A 'baixaria' é a mesma só mudou de nome. O que devemos fazer é tentar construir uma democracia honestamente, sem aquele velho jeitinho brasileiro conhecido por todos nós. Estudar e encontrar uma ideologia são necessários, mas o essencial é instruirmos os nossos filhos(quando tivermos ou se já temos) e conversarmos sobre política para que, finalmente, alguma mentalidade democrática seja construída no país. A coisa não vai mudar tão cedo, mas temos que começar por algum lugar, afinal, se a gente quer esperar que façam algo por nós é melhor morarmos numa ditadura que deste modo não se faz preciso pensar no governo e nos nossos direitos.



Viva a Democracia(seja lá o que isso quer dizer)...

7 comentários:

Meu Nome é Caio disse...

Antes que eu me esqueça: Preciso deste livro.
...

A alguns dias atrás, eu estava conversando no elevador com minha vizinha, soobre o caso do aumento do preço para poder estacionar no Shopping. Ela me falou uma coisa, na qual eu já sabia que existia, mas que reflete em tudo. Que é: "O povo brasileiro é bastante ACOMODADO".
Isso é muito constragedor para mim, pensar e ao mesmo tempo falar, porque eu sou um "Acomodado". Eu realmente, dependendo do assunto, deixo as coisas "para lá".
Tem gente que, a partir do momento que comece a incomodá-la, aí sim, ela começa a PENSAR em tomar alguma atitude, já outras, logo quando considera um problema no meio onde vive, sem mesmo chegar perto de atrapalhar sua vida, elas interrogam e só ficam sossegadas quando souber o porque de tudo e caso não seja coerente, elas dão um jeito de reverter a situação. Pena que isso só acontece com pouquíssimas pessoas.

eu tenho mais coisas a falar. Mas não estou conseguindo organizar as idéias.

Esse Post, entrou como uma luva. Tudo repercurtiu com que contruisse uma harmonia, com relação a assunto, bibliografia indicada pelo argumento e tempo de universo onde nós brasileiros nos encontramos.

André Maciel disse...

Mas antes de se ensinar política aos nosso filhos é necessário ensinar ÉTICA! Políticos não são seres de outro planeta, são gente como a gente, quem me garante que amanhã eu não serei um deputado e estando lá também não serei taxado de corrupto? O "jeitinho brasileiro" é que acaba com esse país, tudo do jeito mais fácil e rápido que normalmente é ilicito. Essa cultura enraizada tão profundamente em nosso país. Não acredito que essa descrença por parte da juventude atual seja ocasionada preponderantemente por influências dos pais, acho que o jovem hoje está mais ligado a tudo o que acontece em sua volta graças a quantidade de informações que são recebidas a todo instante. Situação essa que não ocorria até 10 ano atrás, naquele tempo todo mundo era bem mais alienado (até mesmo pelo regime da Ditadura que negava esse conhecimento). Tendo ciência de tudo o que ocorre (e consequentemente não ocorre) no Brasil hoje fica difícil acreditar nesse país. Mas é acreditar que vamos nos livrar desse karma, e não só acreditar, se esforçar e lutar para isso.

Kira Fashion disse...

apesar de tudo, gosto de política...

beijos!

alice disse...

Desculpem-me pela demora, mas o Post de Anine foi realmente muito completo, e eu sigo a filosofia do “Se não tem nada a dizer, não diga nada”, e por isso fiquei quieta até agora!
Mas esse assunto é muito bom, e agora sim, eu sei que tenho algo importante a falar. =]
Eu não conheço muito de Cuba, mesmo porque ainda é muito difícil achar boas informações sobre o que se passa lá. (Se alguém for mais informado, por favor, vamos conversar. =]) Mesmo assim, eu admiro muito o que acontece por lá. Eu também estou lendo esse livro, mas ainda não acabei, mas Cuba hoje, pra mim, vive algo no qual eu acredito muito; não, não o regime não-capitalista; mas um regime de prioridades, onde a prioridade maior é a população.
Não, eles não são livres, mas até que ponto nós somos? Se pensarmos realmente a única coisa que realmente temos direito é a comprar! “Mas os podemos falar de comunismo e socialismo”. Sim, podemos, “hoje” nós podemos. Mas se conseguimos esse direito é porque o capitalismo não se vê mais ameaçado por esse regime. Mesmo porque invadir o Brasil, derrubar o governante legal (no caso João Goulart) e implantar uma ditadura militar que atendesse aos seus interesses, não foi algo muito digno da parte de nossos amiguinhos estadunidenses. E se hoje o capitalismo já não é mais ameaçado, o regime cubano, em conta partida, vive sobre a pressão externa pelo seu fim! “Cuba não divide a riqueza, divide a pobreza”. Vocês já devem ter ouvido essa frase, agora me digam, o que um regime capitalista traria para essa população?! Ele faria com que essa riqueza existisse?! E existindo, seria para os pobres? Ou para que outros países pudessem voltar a explorar a ilha? Cuba se tornaria, hoje, um país melhor, ou voltaria a ser quintal dos EUA?São só algumas perguntas que devemos nos fazer antes de ligar o Jornal Nacional, ou abrir uma Veja.
Eu gostaria muito de saber mais sobre o que é Cuba hoje, sobre a população, ideologias, modo de vida, cultura etc. Mas as informações são poucas e geralmente nada equilibradas! Isso é liberdade???

Não quero falar sobre nossa geração ser tão subjulgada pelas que nos antecederam, discursos como “vocês são muito acomodados” ou “no meu tempo eu ia as ruas” é algo que para mim está junto com o “na minha época os preços eram mais baixos, as crianças respeitavam os mais velhos, e os políticos mais honestos”, um discurso nostálgico, que não acrescenta nada a nossa geração, e parece ser mais para criticar-nos do para nos mobilizar a alguma coisa! Quer diferença? Mostre-nos seus caminhos! Nós estamos aqui, queremos saber, estamos perguntando! Não nos disseram por onde seguir, mas estamos procurando! Eles reclamam de nós, mas como Anine já disse, ninguém nos ensinou a lutar, eles batalharam, parabéns, mas a verdade é que quando tiveram o que tanto lutaram, não souberam o que fazer com esse direito; tanto na souberam, que não nos ensinaram. Mas não importa mais, nós crescemos, e agora é nós por nós mesmos. Continuamos a respeitar seus feitos e sues conhecimentos, e jamais os negaremos. Mas o tempo de aprendermos com nossos pais, de trazer o conhecimento de casa, se foi. E agora o que conquistarmos será por mérito só nosso!
Sabemos que ainda temos muito que aprender e queremos muito que nos ensinem. Mas quanto menos eles o fazem, mas certeza temos do quanto lutamos –sozinhos- para ser o que somos, e fazer do mundo o que achamos certo.

Anine Surui disse...

Caio:Que bom que o post serviu para organizar alguns pensamentos seus. :)

Andre: Concordo com a parte da etica, mas eu nao lembrei de colocar isso no post porque eu estava bastante focada na questao cubana, etc. Eu acredito fortemente na parte da influencia dos pais. Acho que a educacao de casa e a que se leva para a praça. Sei que muitas qualidades sao inerentes a certas personalidades e que independem da influência dos pais para existir. Mas acho que se o nacionalismo era tao forte assim na *juventude ativista* deveria ser algo que insonscientemente os pais transmitiriam aos seus filhos. Como eu citei no texto e nao sei se ficou claro, no meu ponto de vista, os brasileiros no geral nao tem espirito de nacionalistas. Eu tenho completa ciencia de todos os movimentos que houveram durante historia do brasil, principalmente no nordeste visto que sou pernambucana, mas eu tambem pude observar que esse sentimento de revolucao nao transcendia nas epocas proximas as ditas rebelioes. E isso ficou claro quando se lutou por uma democracia aqui no Brasil e o fato das gerações após esses 'revolucionários' não demonstrarem por bastante tempo uma apatia política prova isso. Pode ver ao nosso redor. Demorou muito para que meus amigos pensassem em política e demorou um bocadinho também para que eu mudasse o meu conceito sobre políticos. Por que? Porque meus familiares só falam o quanto a política nesse país não tem futuro e os paus deles não falavam sobre política porque os seus pais eram de certa forma alienados pelo regime.

Kirafashion: Obrigada pelo comentário! Fique à vontade para opinar sempre :)

Alice: Adorei a expressao regime de prioridades-nunca tinha parado para pensar nesse contexto.
Gostei do questionamento da suposta ausencia de liberdade nos sistemas. Se formos analisar do ponto de vista primitivo eu concordo na historinha do contrato social em que deve haver um concenso entre soberano e sudito e isso implicava numa certa limitacao de alguns direitos..maaaaas isso era na epoca medieval e moderna. Estamos numa democracia-sistema politico teoricamente moderno-porem acho que a maxima de hobbes[o homem e o lobo do proprio homem]esta mais viva do que nunca quando se percebe tanto horror na historia da humanidade num periodo tao curto de tempo(seculo XX). Sendo assim, precisa haver uma certa limitacao de direitos como havia nas teorias absolutistas e bla bla bla para que nao sejamos uma sociedade desregrada. Nao que eu defenda a monarquia, mas nao devemos descartar as ideias de genios como hobbes, grotius e maquiavel(meu deus! isso da outro post). Resumindo:acho que essa questao deve ser questionada sempre, sim!

Cecília Gomes disse...

Nine!
Gostei do post você escreveu muito bem.

É, talvez nos falte mais uma política ativa, ou seja,uma luta em favor daquilo que acreditamos.
Acho que as pessoas vem se conscientizando com as coisas que ocorrem em nossa sociedade,embora ainda não tenham chegado em um estado de consciência ideal.
Gostei do seu pensamento, continue escrevendo :D

:*

Kira Fashion disse...

Olá!
Obrigada pelos comentários no meyu blog. O seu é genial!

Mil beijos.
até logo,
Kira