quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mulheres e crianças primeiro!

(Saudações, sem-pudor!

Esses últimos 2 meses foram bem preenchidos pra mim, motivo de minha ausência por aqui. Esse blog tá lindo! Estamos, alice, anine, caio e eu amadurecendo uma idéia maravilhosa pra enriquecer mais ainda isso aqui! Coisa pra esse ano ainda, espero eu. Nessa semana to até me sentindo de férias pelas poucas responsabilidades que me restaram e daí então resolvi escrever alguma coisa por aqui. Tive uns insights agora há pouco e vou discorrer um pouquinho, rápida, livre e "brancamente", sobre um tema inédito aqui: valores familiares.)



Herói é definido por alguém que morreu por uma determinada causa. Pelo menos em termos de Ocidente, acho que já foi-se o tempo dos heróis. Tempos em que se matava e morria por algo. Destaco até apenas três grandes e bons motivos pra luta humana intensa, sacrificando sua própria vida: Deus, pátria e ideal, como três coisas sagradas. Existiu e ainda existe inúmeros sacrifícios relacionados à ordem divina (os primogênitos da bíblia sagrada e os terroristas de Alá que o digam); guerras sempre serão o maior exemplo, se é que existe outro, de morte por sua nação; revoluções são o melhor exemplo de sacrifício humano por um ideal.

Religião e ideologias moveram o homem durante toda a história. Por trás de toda revolução, toda necessidade de mudança, há um pensamento, uma razão, uma ideologia as quais as movem. Como essas coisas tão bem ausentes atualmente pode-se levantar uma questão do tipo: "Então as pessoas de hoje estão vivendo sem ideologia nenhuma?!" Eu responderia sim. Porém li um conto que me intrigou e me deixou indeciso quanto a essa posição. Esse conto é o famoso Código do Mar: Todo comandante deve sempre morrer junto com o seu navio ou embarcação quando ele naufraga, mesmo que toda a tripulação e passageiros se salvem e possam o salvar. O que me intrigou é que hoje acontece o contrário: não se morre mais pelo navio e sim pela tripulação e passageiros. E isso é uma ideologia. Isso é um grande progresso.

Nesse âmbito, houve uma total inversão dos valores. Em meio a uma nação poluída pelos mais repugnantes sentimentos e onde a confiança se tornou apenas uma mera palavra, a família passou a ser a razão pela qual se mata e morre. No século XX, o ser humano, ou melhor, a família se tornou sagrada.
Sagrado. Alguém me define sagrado nos comentários? Talvez, evidentemente pelo que to falando, algo pelo qual se mata e morre.

Uma coisa interessante foi a mudança da relação Pais-Filhos.
Antigamente o sentimento ou a relação entre os genitores e a prole não era prioridade. Lembro que, numa apresentação de um trabalho na faculdade sobre alguns filósofos, comentei que Montaigne, escritor francês famoso por ser demasiado humanista, não se lembrava de quantos filhos tivera e nem de quantos morreram na fase de amamentação. Outro filósofo, o iluminista Rousseau abandonou completamente os cinco filhos que teve. Hoje essas coisas seriam tachadas de bizarras e repugnantes, mas na época em que aconteceram eram de certo modo aceitáveis, pelo fato da não existência do conceito de infância. Só lá pelo século XVII e XVIII esse conceito foi definido como um período de fragilidade e ingenuidade da vida. O bom é perceber que essas mudanças foram ajudadas pela mudança do que se pensava em relação ao casamento. Antes se casava por interesse financeiro, pra dar continuidade ao sobrenome, não havia preocupação com o sentimento; hoje é o inverso, casa-se única e exclusivamente por amor.

Aí pode-se fazer uma observação: "E os divórcios? Hoje divórcio tá mais comum que casamento. Seriam os divórcios o declínio da sacramentação da família?!" Eu diria que não. O divórcio foi uma mera consequência de um acordo meio que subjetivo que é o 'casamento por amor'. Quando a união está amparada apenas no sentimento, basta que esse sentimento termine para que apareçam outros amores. Terminou-se o amor, terminou-se o casamento. E isso funcionava bem diferente nos casamentos movidos a interesses - os casamentos de antigamente... Até porque é bem mais improvável que o interesse termine...

Então como fica a felicidade - ou infelicidade - humana ou da família? Kant disse que se a felicidade fizesse parte da natureza humana, Deus não nos teria dado a inteligência. . .
Já aqui eu sou bem pessimista. Sempre que me deparo com perguntas dessa natureza respondo logo: "Tudo tende ao caos... tudo tende ao caos..." A gente vive uma interminável competição. A vida é uma competição. O êxito pessoal é o que importa. Dinheiro, carros novos, filhos bonitos e bem vestidos tudo visando ao reconhecimento alheio e à superioridade. Aquele clichê do hiperconsumo. O que nos dá a sensação de felicidade é poder comprar, comprar e comprar. Claro que isso não é suficiente. Enfim.

Ontem pelos ideais, hoje pela família, amanhã...

Othon C.

3 comentários:

Othon C. disse...

como sempre acho que nunca sou claro o suficiente, vide entre-linhas do texto.

Anine Surui disse...

Othon, quanto a falta de ideologia na contemporaneidade eu discordo.
Temos a ideologia do capital, do hiperconsumo como você mesmo disse.
Não é uma coisa honrável, mas não deixa de ser uma ideologia: comprar para ser feliz.
Certamente que é uma proposta imposta pela sociedade vigente,
mas as outras ideologias tidas como dignificantes também não foram 'impostas'
pelos grandes pensadores da época? Tomemos Voltaire, por exemplo, cujos pensamentos exerceram grande influência
na Revolução Francesa e no processo de Independência dos EUA. E porquê não dizer que ele influenciou alguns monarcas
que seguiram pelo caminho do despotismo esclarecido. Suas idéias desencadearam processos ideológicos e
influenciaram sistemas políticos da sua época
como foi citado com os exemplos acima.
Analogamente, esse processo existe na atualidade com o capitalismo financeiro que influencia a nossa sociedade com as guerras(a principal:Guerra Fria) e com a postura consumista de uma grande parcela da população mundial.

Quanto a família, a sacralização dela, na minha opinião,
é decorrente de uma maior humanização das pessoas. Apesar de ainda haver muitos exemplos de comportamentos inescrupulosos no século XX e XXI, o ser humano está se tornando cada vez mais ético
com os seus relacionamentos interespecíficos; a valorização da família mostra um lado mais
racional do ser humano do que primitivo justamente por expôr essa maior sociabilidade entre
os entes que apresentam laços sangüíneo. O aumento da ética pode ser exemplificado com a própria relação matrimonial em que, antigamente, casava-se por dinheiro e atualmente se casa
por amor(algo mais digno e por assim dizer ético) como você mesmo colocou no seu texto.

Kira Fashion disse...

Parabéns pelo sucesso do blog!

Mil beijinhos!